Girafas podem ajudar a tratar doenças cardíacas humanas

Pesquisadores disseram que uma mutação genética que torna as girafas resistentes a doenças pode ajudar a desenvolver tratamentos humanos.

Girafas machos adultos podem atingir alturas de até 6 metros (19,6 pés) de altura. Ou seja, mais altas do que um ônibus de dois andares, tornando-as os mamíferos mais altos da Terra. Essa estatura os ajuda a encontrar comida e detectar predadores. Mas agora também pode ajudar os humanos.

Em um estudo publicado na quarta-feira, 17 de março, na revista Science Advances, pesquisadores descreveram como um dos genes responsáveis ​​por fazer as girafas ficarem tão altas pode realmente ajudar a desenvolver um tratamento para doenças cardíacas e outras doenças em humanos.

No artigo, os pesquisadores do Centro de Excelência em Evolução e Genética Animal da Academia Chinesa de Ciências postulam que o gene, FGFRL1, pode apresentar um caso de pleiotropia. Isto é, quando um gene produz uma série de características aparentemente não relacionadas.

O co-autor do estudo, Qiang Qiu, deu sua explicação em uma entrevista à Inverse. Ele diz que a natureza pleiotrópica do FGFRL1 em ​​girafas pode ser parcialmente responsável pela longevidade evolutiva dos animais, apesar de uma série de problemas criados por sua fisiologia. Dessa forma, explica como o gene ajudou os animais a lidar com a pressão alta e ter menos vulnerabilidade a danos cardiovasculares.

doenças cardíacas humanas

Girafa e doenças cardíacas em humanos

Em seu estudo, os pesquisadores compararam um mapa do genoma da girafa com o de outros ruminantes, incluindo gado e ocapi.

Depois de identificar mutações específicas das girafas, os pesquisadores testaram uma variante do FGFRL1 encontrada nas girafas, injetando-o em camundongos.

Os camundongos com a variante FGFRL1 e um grupo de camundongos de controle tiveram hipertensão induzida como parte da análise. Os resultados revelaram que os ratos portadores da variante do FGFRL1 tinham uma saúde geral melhor do que os do grupo de controle.

Os camundongos da variante FGFRL1 sofreram menos danos cardiovasculares e de órgãos e desenvolveram ossos mais densos do que seus homólogos de controle.

Em seu artigo, os pesquisadores escrevem, “esses resultados fornecem insights sobre a base genética da anatomia da girafa e adaptações associadas. Além disso, com implicações particulares no que diz respeito ao sistema cardiovascular. Portanto, pode ser útil para o tratamento de doenças cardiovasculares e hipertensão em humanos”.

Em sua entrevista à Inverse, Qiu disse: “devemos também ter em mente que o efeito pode ser diferente em espécies diferentes. Então, há um caminho a percorrer antes de usá-lo na intervenção humana.”

Claro, as espécies ameaçadas de girafa são muito diferente dos humanos. Então transferir as descobertas para tratamento humano é a próxima tarefa do tamanho de uma girafa enfrentada pelos pesquisadores.

Publicado em: Animais, Ciência