Esperma congelado produz camundongos saudáveis após 6 anos

Os experimentos com esperma congelado podem levar a nascimentos de fertilização para futuras colônias espaciais.

Imagem ilustrativa

A história dos animais no espaço é controversa, com macacos, sapos e, claro, Laika, o cachorro que abriu o caminho para os humanos no espaço. Mais recentemente, em 2019, enviamos ratos ao espaço para testar a microgravidade.

Agora, um novo experimento de pesquisadores japoneses envolvendo espermatozoides de camundongos pode ter definido o caminho para bancos de esperma a bordo de espaçonaves. Dessa forma, permitindo a colonização por fertilização In Vitro (FIV), explica um relatório da CNET.

A equipe, que publicou suas descobertas na revista Science Advances, começou a entender os efeitos de longo prazo da radiação espacial no esperma dos mamíferos.

Para seus experimentos, eles enviaram amostras de espermatozoides de camundongos liofilizados para a Estação Espacial Internacional (ISS) em 2013. Quase seis anos depois, as amostras foram devolvidas à Terra em uma cápsula de carga SpaceX Dragon em 2019. E assim criou-se ninhadas de “filhotes espaciais” saudáveis.

Esperma congelado: controle de solo

Esperma congelado

Ao mesmo tempo em que o experimento aconteceu a bordo da ISS, amostras de esperma de camundongos também foram congeladas na Terra como um grupo de controle. Assim, usou-se o esperma liofilizado do ISS para impregnar camundongos fêmeas via fertilização in vitro. E esses filhotes espaciais passaram por uma análise e comparados com os filhotes de “controle de solo”.

“Os filhotes espaciais não mostraram nenhuma diferença em comparação com os filhotes de controle de solo. Além disso, a sua próxima geração também não apresentava anormalidades”, escreveu a equipe em seu artigo.

A equipe também relatou que nenhum dano extra no DNA ocorreu na amostra a bordo da ISS quando comparada com a amostra na Terra.

Experimentos em órbita lunar

Esperma congelado viagem à lua

Uma ressalva a esta pesquisa é o fato de que a ISS não está estacionada no espaço profundo. Portanto, está parcialmente protegida da radiação mais perigosa pelo campo magnético da Terra.

A exploração do espaço profundo, que é onde as aplicações para esta pesquisa provavelmente terminariam, pode ter um efeito mais prejudicial sobre essas amostras.

A pesquisa pode ajudar a viabilizar projetos como a ‘Arca Lunar’ proposta pelo pesquisador da Universidade do Arizona Jekan Thanga. Dessa maneira, visa armazenar DNA dentro dos tubos de lava da Lua, como um arquivo para a vida na Terra e uma “apólice de seguro global moderna”.

Na verdade, a equipe declarou em seu artigo que espera um dia conduzir experimentos com espermatozoides liofilizados no projeto do portal lunar da NASA, que lançará um posto avançado lunar para orbitar a lua. Isso lhes permitiria obter uma melhor compreensão dos efeitos da radiação nas profundezas do espaço.